BIOGRAFIA
Renan Nascimento, também conhecido como Rennis, investiga, desde 2020, as possibilidades óticas, químicas e materiais da fotografia alternativa, combinando procedimentos fotográficos a operações estranhas ao próprio campo. Prepara reveladores de base orgânica, submete negativos e cianotipias a diferentes soluções, experimenta suportes têxteis em lugar do papel e subverte o funcionamento previsto da câmera. Nessas operações, o processo deixa de ser bastidor técnico e passa a constituir a própria obra.
Sua pesquisa revisita o arquivo pessoal, intervém na materialidade dos suportes e reconduz manualmente os processos fotográficos. Imagens, texturas, emulsões e densidades cromáticas são combinadas e alteradas até que a paisagem; cidade, oceano, corpo perca progressivamente sua referência e permaneça como vestígio.
O acaso, nesse processo, não é apenas aceito, mas produzido e reintroduzido. Tempo de exposição química, temperatura, absorção do tecido, reação das soluções e outras variáveis são testados como matéria de trabalho. Ao interferir nos procedimentos e deslocar seus resultados esperados, Rennis tensiona continuamente aquilo que pode ser controlado pelo autor e aquilo que emerge da própria matéria.
Nem toda paisagem que aparece aqui existe em algum lugar. Estas imagens partem de horizontes vividos, fotografados ou apenas lembrados e são reconstruídas quimicamente até que a memória e o registro se tornem indistinguíveis. Luz, sal, oxidação e calor agem sobre o tecido como agiriam sobre a própria experiência: revelando, velando, corroendo.
O horizonte, aqui, deixa de ser um limite da paisagem e passa a ser um limiar entre o que foi visto e o que foi sentido, entre a prova fotográfica e sua falsificação afetiva.
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Nesta série, negativos analógicos são transferidos para o tecido por meio da cianotipia e submetidos a banhos de soluções químicas e orgânicas que alteram cor, densidade e intensidade da imagem. O resultado são superfícies de tons azulados, terrosos ou quase apagados não como efeito decorativo, mas como registro direto da reação entre química e fibra.
A imprevisibilidade do processo, tempo de banho, temperatura, absorção do tecido, composição da solução é incorporada como parte da poética da série: o acaso deixa marcas que escapam ao controle do autor, revelando camadas de imagem que não estavam previstas na captura original.
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Nesta série, Rennis amplia impressões digitais e as sobrepõe a cianotipias de escamas de peixe. Os dois padrões parecem seguir a mesma lógica espiral, mas a semelhança é apenas visual: a escama cresce por camadas, registrando tempo; a digital é um padrão fixado desde a gestação, sem acúmulo temporal. A sobreposição não trata de continuidade biológica, mas de dois regimes distintos de registro do corpo: o instantâneo do contato e a duração do crescimento.
Em uma das peças, a linha da vida atravessa a padronagem de escamas, cruzando o registro interpretativo da quiromancia com o processo fotoquímico da cianotipia.
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Em Cromo, Rennis revisita seu acervo de fotografias analógicas, combinando imagens em pares que, por meio do recorte e da colagem, constroem novas relações e sentidos. A técnica de aplicação e o suporte telhas onduladas de aço galvanizado remetem ao lambe-lambe urbano, deslocando a fotografia para uma lógica de ocupação e materialidade.
Para ver a imagem por completo, o espectador precisa se deslocar. As telhas fragmentam a fotografia em faixas que só se recompõem a partir de certos ângulos. De frente, a imagem se dissolve em tiras de metal; de lado, ela volta a se formar por instantes. A mesma palavra nomeia os dois efeitos: o corpo se desloca no espaço para reconstituir a imagem, e a imagem desloca quem a vê para fora do ponto de vista fixo.
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2024
– Curso: Fotografia Expandida / EAV – Parque Lage (Denise Catilina)
– Mostra individual — Cromo e Água / Embraza Casa Criativa – Rio de Janeiro
– Exposição coletiva — Parada 7: Levante Floresta / CCM Helio Oiticica – Rio de Janeiro
– Mostra coletiva — Festival Cultural Independente / Small Riders Surf House – Rio de Janeiro
– Exposição coletiva — Fotografia Expandida / Parque Lage – Rio de Janeiro2024
– Curso: Fotografia Expandida / EAV – Parque Lage (Denise Catilina)
– Mostra individual — Cromo e Água / Embraza Casa Criativa – Rio de Janeiro
– Exposição coletiva — Parada 7: Levante Floresta / CCM Helio Oiticica – Rio de Janeiro
– Mostra coletiva — Festival Cultural Independente / Small Riders Surf House – Rio de Janeiro
– Exposição coletiva — Fotografia Expandida / Parque Lage – Rio de Janeiro
2025
– Curso: Linguagens Visuais / EAV – Parque Lage (Marcos Bonisson)
– Exposição coletiva — Justaposição / Bunker Galeria – São Paulo
– Exposição coletiva — Abraço Coletivo / Lanchonete Lanchonete – Gamboa, Rio de Janeiro
– Mostra coletiva — Revela / Santo Lab + Sambacine – Rio de Janeiro
– Mostra individual — Pele D’água / Bunker Galeria – São Paulo