Renan Nascimento, também conhecido como Rennis, é um artista visual autodidata cuja prática tem a fotografia como base do processo criativo. Seu trabalho se desenvolve a partir da experimentação, explorando tanto técnicas convencionais, como a colagem, quanto processos históricos e experimentais da fotografia, como a cianotipia. Ora de forma independente, ora em diálogo.

A fotografia analógica é central em sua pesquisa:da preparação dos químicos à revelação manual, cada etapa é entendida como parte constitutiva da obra.
Entre a cidade e o oceano, sua produção investiga tensão, solidão e materialidade, compreendendo o processo experimental não como meio técnico, mas como força ativa na construção da imagem.

Nesta série, fotografias analógicas ganham nova materialidade ao serem transferidas para o tecido por meio da cianotipia (processo fotográfico do século XIX) e posteriormente submetidas a banhos de soluções químicas e orgânicas que alteram suas cores, intensidades e densidades. O resultado são imagens de tons desbotados, azulados, terrosos ou quase apagados, como se tivessem sido esquecidas pelo tempo ou lavadas pelo mar.

Há uma atmosfera onírica e difusa que aproxima as imagens de lembranças vagas ou sonhos em dissolução. Não se trata de narrar com precisão, mas de remontar memórias borradas, fragmentos emocionais que resistem ao desaparecimento completo.

A imprevisibilidade dos processos utilizados, especialmente a influência do tempo, da temperatura, da composição das soluções e da absorção do tecido, faz parte da poética da série. O acaso deixa suas marcas e revela o que escapa ao controle: aquilo que, como as memórias, se transforma com o tempo e nunca retorna da mesma forma.

CROMOS

Nesta série, a escolha das telhas onduladas de aço galvanizado
simbolizam um gesto de inovação e contraposição. Inspirado na
afinidade com a arte urbana e na sua conexão com o mar, Rennis
cria um diálogo entre a fluidez do oceano e a rigidez do aço,
através do uso do lambe-lambe. As fotografias buscam capturar
a interação e conexão entre a natureza e o humano. a
ondulação da superfície conduz a um efeito visual dinâmico, que
induz a interação do espectador, refletindo o movimento de
transição de uma pura fruição para o amadurecimento
profissional.
Nota-se o detalhe da oxidação gradual do aço pela ação da
água e da maresia evidenciando a relação longeva com oceano e
seus impactos.

Na fotografia analógica e nos processos alternativos, a imagem nasce da interação entre luz, química e tempo. Técnicas como o Caffenol resgatam a fisicalidade do processo, tornando cada fotografia um experimento singular.

A cianotipia transforma química e luz  em impressões de tons profundos, variando do azul intenso a matizes sutis por meio de processos de tonalização. Chá, café e outros agentes alteram sua cor, expandindo as possibilidades dessa técnica histórica e experimental.

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